O porto de Santos vem registrando queda na movimentação de cargas conteinerizadas em 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. A retração, porém, não aparece nos dados gerais porque está sendo camuflada pelo boom de exportações no agronegócio, que faz o translado de cargas sólidas a granel bater recordes todos os meses, puxados principalmente pelas exportações de açúcar, milho e soja.
De acordo com especialistas, a retração na circulação dos contêineres é um dos impactos econômicos da pandemia, que reduziu o nível de atividade das industriais, o consumo das famílias e, consequentemente, as importações via portos. Os setores que mais contribuíram para essa queda foram o automotivo e o de produtos químicos.
Segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) enviados à Folha, a queda na movimentação ocorre desde março, quando o recuo no porto público foi de 14,9% nos contêineres de longo curso na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na análise de janeiro a agosto de 2020 com o mesmo período de 2019, a queda foi de 7,05%.
De acordo com a agência, o porto vem apresentando uma redução contínua em sua movimentação de contêineres no longo curso. Mesmo assim, afirma não ser possível responder se existe uma tendência de queda, e o resultado é creditado inteiramente à pandemia.
“Acreditamos que a queda observada na movimentação de cargas conteinerizadas no Porto de Santos responde exclusivamente a fatores conjunturais, e não a fatores estruturais de longo prazo”, afirma a Antaq.
O diretor de operações da SPA (sigla em inglês para autoridade portuária de Santos), Marcelo Ribeiro, também vê o fato como circunstancial e pontual. A queda seria um efeito da economia mundial desaquecida diante do cenário pandêmico que mudou a circulação de contêineres. Não reflete, de forma alguma, a capacidade do porto de receber esse tipo de carga, afirma ele.
“É a conjuntura. Quando você pega os dados do porto em exportação e importação, vê que, normalmente, exporta 70% e importa 30% das cargas movimentadas. Mas hoje ele está fazendo 74% de exportação e 26% de importação, e isso é fruto da conjuntura”, diz Ribeiro.
A SPA diz que a queda era esperada e é coerente com os efeitos da pandemia. Ao mesmo tempo, entende que os quatro primeiros meses mostraram resiliência do porto em meio à pandemia, com crescimento das exportações.
Impulsionado pelos resultados do agro, o porto de Santos registrou movimentação de tonelagem total de 110 milhões de toneladas em setembro, uma alta de 10% sobre igual período de 2019. A melhora na movimentação de cargas conteinerizadas é esperada para o ano que vem.
Fonte: Folha / Diário do Litoral




