Depois de a China controlar o avanço do coronavírus, as indústrias brasileiras que dependem de insumos e componentes chineses já sentem os primeiros sinais de recuperação da atividade no país asiático. Empresas de máquinas, eletrônicos e farmacêuticas consultadas pelo GLOBO confirmaram a retomada dos embarques (da China para o Brasil) que neste momento vem sendo feita com produtos que já estavam em estoque antes do recesso de Ano Novo chinês.
“Meu primeiro embarque desde a paralisação em janeiro saiu no dia 9 de março”, disse Bin Lam, CEO do Grupo Lanmax-Cavemac, empresa de máquinas e acessórios para a indústria de confecções e automotiva. “Até abril terei produto chegando, dessa leva que estava em estoque. Maio devo ter alguma quebra de cadeia, mas a partir de junho, volta ao normal. Hoje ainda tem muito produto pronto (nas fábricas chinesas) faltando embalagem ou algum outro insumo”.
Chinesa radicada no Brasil, Bin conta que os fornecedores voltaram a ligar para pegar pedidos há cerca de dez dias. Mas a retomada é lenta e gradual. Antes da crise, o prazo entre o pedido e o embarque era de um mês. Hoje está levando de 50 a 60 dias.
Pagamento antecipado
E se antes os chineses davam crédito aos clientes, hoje exigem pagamento antecipado. Dados divulgados pela Agência Nacional de Estatísticas chinesa mostram que as medidas drásticas para conter o vírus levaram a uma queda de 13,5% na produção industrial no país asiático nos dois primeiros meses do ano, na comparação com janeiro e fevereiro de 2019.
O governo Chinês mantém a meta de crescimento de 6% para o ano, mas o mercado já trabalha com números bem menores. Após a divulgação dos dados da produção industrial, economistas do Goldman Sachs reduziram a previsão para o crescimento do PIB chinês em 2020 para 3%.
Com o pico da pandemia ficando para trás, as fábricas estão gradualmente retomando a produção.
A fabricante de eletrônicos Foxconn — um dos principais fornecedores da Apple — anunciou que até o fim de mês voltará a sua capacidade máxima.
No início de março, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) identificou que 70% dos 50 associados haviam registrado problemas de abastecimento de peças e componentes, sendo que 6% estavam operando com paralisação parcial nas fábricas.
LG, Samsung e a Flextronics, que fabrica celulares para a Motorola, chegaram a ter pequenas interrupções de produção em fevereiro, por falta de componentes.
Na indústria farmacêutica, que tem um ciclo de produção mais longo, a preocupação foi grande, mas as fábricas não chegaram a registrar interrupções. Há garantia de estoques pelo menos até julho, segundo entidades do setor.
Fonte: O Globo
Foto: Envato




