A movimentação de contêineres na cabotagem cresceu 24,7% no primeiro semestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2018. Os dados, extraídos do Sistema de Desempenho Portuário (SDP), constam de novo estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Segundo o levantamento, considerando o primeiro semestre de cada ano da série histórica 2010-2018, foi constatado crescimento de 204% no período.
O estudo da ANTAQ também revela que a capacidade utilizada da frota de porta-contêineres na cabotagem atingiu 76,2% em agosto do ano passado. Os dados revelam, ainda, crescimento de 28% na cabotagem, de 2010 a 2018, saltando de cerca de 127 milhões de toneladas para 163 milhões de toneladas movimentadas. O transporte de contêineres é o segundo maior perfil de carga transportada na cabotagem, atrás, apenas, dos granéis líquidos e gasosos.
Esse comportamento pode ser explicado, em parte, como consequência da greve dos caminhoneiros, realizada em maio de 2018, e com a subsequente instauração da tabela de fretes rodoviários, que tornou o transporte de cabotagem mais atraente para os donos de carga, vis-à-vis com o transporte rodoviário.
Assim, a partir dos dados da frota de porta-contêineres disponível atualmente para o transporte de cabotagem, o estudo avaliou o nível de utilização da frota, chegando ao valor de 76,2% de sua capacidade em agosto de 2019.
Segundo José Neto, gerente de Desenvolvimento e Estudos da ANTAQ, “tal valor, considerando que o patamar prudencial de 70% pode ser utilizado como limite da eficiência do sistema, é um valor elevado, podendo ocasionar, no curto prazo, problemas de absorção da demanda, do aumento do valor do frete e da queda da qualidade do serviço prestado aos usuários do serviço, se constituindo, portanto, em um problema regulatório a ser enfrentado”.
Ainda segundo o gerente, “há a necessidade dos players do mercado se atentarem para esse fato e agirem no sentido de ampliar a oferta de serviços. Por outro lado, medidas em gestação no governo federal, na denominada BR do Mar, bem como ações regulatórias da própria Agência podem facilitar a ampliação da oferta de serviços no transporte de contêineres na cabotagem no curto prazo.”
“Nesse sentido, o estudo aborda algumas opções regulatórias que teriam o condão de estimular a ampliação da oferta e que poderiam ser implementadas pela própria Agência Reguladora, inclusive com flexibilidade para acompanhar os efeitos das medidas implantadas e, via Análise de Resultado Regulatório, mudar ou manter as novas regras instituídas”, finaliza o gerente.
Fonte: Antaq / Ministério da Infraestrutura
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